Preste atenção no que você está fazendo.

Não achei os créditos desta foto.

Passeando em um livraria, vejo um guri se aproximar de uma estante, e escolher um livro. Um livro “para adultos”.

Ato contínuo, sua mãe gentilmente o puxa pelo braço, ignorando o seu interesse, a sua decisão o seu livre arbítrio. O direciona para outra estante de livros coloridos educando-o: – Estes livros são pra gente grande. Estes aqui são para você.

Hesitante,  peço a licença de me intrometer no processo educativo:

– Deixe-o levar o livro que ele escolheu.

Ela, atônita.

Eu…

– Ele escolheu um único livro no meio de milhares. Pouco sabemos o que o levou a isso. Uma decisão tomada talvez ao acaso, mas uma decisão de cunho pessoal. Ao desmerecê-la em tão tenra idade, estamos dizendo a ele que não tem a capacidade de decidir por si só. E tenderemos a fazer isso por toda a sua vida, solapando sua autoestima.

Ela disse algo sobre ele não ter a capacidade de compreender o que lá estaria escrito.

Devolvi.

– Saramago dizia, citei – mais vale a opinião de uma celebridade do que a de um estranho, esperava eu que ela soubesse de quem estava falando – dizer em uma entrevista, que devemos oferecer ao jovens livros que não foram programados para a sua faixa etária, que estão além da sua compreensão. Pois isso os instigará a buscar mais conhecimento, mais informação para compreender aquilo que não o conseguem hoje. Se limitarmo-nos a lhe oferecer algo que está dentro dos limites da sua capacidade, como instigaremos a evolução.

Ela insistiu que o livro seria deixado de lado logo a leitura das primeiras páginas.

E eu insisti mais.

– Sim, como um post-it lembrando-o da sua incapacidade de compreendê-lo. De que ele tem que tentar mais, buscar mais, em mais fontes, com mais tenacidade. Deixo-o assumir a responsabilidade, sem impingi-la, sem culpa. Folheie-o com ele, mostre-o os possíveis caminhos de descoberta. Coloque o barco na correnteza e deixe-o seguir. Talvez ele nunca leia este livro, mas venha a compreender a responsabilidade de escolher. Hábitos que esperamos que pessoas adultas e inteligentes tenham devem ser exercitadas desde muito jovens. Se quiser mesmo economizar a compra do livro “errado” pelo menos incite-o a pensar sobre a escolha que ele fez.

Encerro meu pensamento aqui, mas sugiro a leitura do texto seguinte.

Alan Hecktor El Khouri

Proprietário do SwáSthya Yôga Cultural

Um espaço de desenvolvimento do potencial humano de realização… consciente.

Leia mais:

Por uma Pedagogia da Descoberta

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